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XXVIII

Janeiro 29, 2007

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“- Tinhas a ideia de que os teus amigos se moveriam por ti quando chegasse a altura? Tinhas essa ideia, meu idiota? Pois fica sabendo que os teus amigos movem-se apenas por si próprios, percebes?, movem-se por si até que tu tenhas algo para lhes oferecer, só então mexerão o cu por ti, se isso não os desinstalar demasiadamente, meu pedaço de asno. Queres alguém que acredite em ti, alguém que possa, por um momento, respeitar-te, alguém que, num relance, vejas a teu lado? Procura entre quem não te conheça, sonso, entre quem não adivinhe o teu sorriso desengonçado, não tope o teu humor à distância, não tenha convivido ainda com o teu mau hálito. Procura junto de quem não te materialize, junto de quem não esteja presente quando te peidas, quando tiras macacos do nariz e os colas debaixo da cadeira. Busca na net, por exemplo, talvez haja quem te siga, quem se esforce, quem te idealize, quem goste, até descobrir que não, um bocadinho da besta que és…”
Foi com estes pensamentos que Licínio acordou na manhã do dia vinte e seis de Novembro. É certo que o tempo, lá fora, estava bastante merdoso, uma nevrinha capaz de ensombrar o amor próprio de qualquer um.

 

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