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XXVII

Janeiro 23, 2007

Encontraram-se no supermercado Atach. Numa secção qualquer ela reparou nele. ou que ele reparara nela. Talvez fosse quase impossível não se encontrarem novamente. Cruzaram-se muitas vezes, já sorriam. Na caixa ele ficou atrás dela. Enquanto os artigos deslizavam, continuavam a sorrir. De vez enquando, ela fazia de conta que se esquecera dele. E depois voltava a fixá-lo, olhos nos olhos, e sorriam. Espreitou o cesto dele. Uma embalagem de um pré-congelado, pão e bebidas. Vivia sozinho. Ele percebeu, fixou as compras dela. Legumes, fruta, leite com suplemento de cálcio, danoninhos, fraldas, etc.. Quis soltar uma gargalhada quando viu a expressão que ele fez involuntariamente.

Estava quase a chegar a casa quando ele passou por ela. Virou-se completamente e sorriu-lhe de novo, divertido por a surpreender. Ela não reagiu e ele acelerou o passo. Quando dobrou a esquina viu-o novamente. Estava parado em frente à sua porta, procurava as chaves. E foi com as chaves na mão que a viu aproximar-se e tirar também as chaves. Ele abriu-lhe a porta. Ela chamou o elevador. Ela carregou no botão com o número 4. Ele marcou o número 5. Olharam tímidos um para o outro. Mora aqui? Há dois meses. Não é francês? Não, turco. E você? Portuguesa. Então vamos encontrar-nos mais vezes. Sim, somos vizinhos. Casada? Sim. Eu só tenho um cão. Se ele ladrar de noite não se zangue. Não. E se for o bébé a chorar, também não se zangue. Não, ponho música.

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