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XXI

Janeiro 8, 2007

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Enganei-me no homem que devia matar e isso constituiu um erro definitivo. Se me fosse permitido morrer e regressar, iria comunicar-lhe o meu arrependimento, ainda que tivesse que o visitar no fundo mais fundo dos infernos, porque é possível que ele fosse, como pessoa, bastante pior do que eu.
O outro, aquele que eu pretendia realmente matar, aproveitou o meu erro para desaparecer, mas eu sei que será por pouco tempo. O homem apropriou-se da minha identidade, usa o meu nome, a minha data de nascimento, a minha morada, o meu número de bilhete de identidade. Por causa dele estou cercado de dívidas que nunca contraí, perdi os bens que possuía, ando foragido, existem mandatos de captura passados no nome que era o meu, é procurada a pessoa que sou eu.
Tudo piorou, no entanto, quando comecei, também, a ser perseguido por bandidos e traficantes a quem ele, passando-se por mim, enganou. Foi um desses que matei por engano e, ainda que eu estivesse disposto a eliminar o homem que me tem destruído a vida, não estava preparado para me converter num assassino. Agora, entre todos os crimes pelos quais sou procurado, existe um que foi realmente cometido por mim. Não quero, com isto, dizer que se tivesse morto o tipo certo não teria igualmente cometido um crime, quero apenas afirmar que não teria tido outra escolha.
Eu sei que parece um pouco confuso, mas deixem-me contar-vos a história desde o princípio: …

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