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XIV

Dezembro 12, 2006

tinha acabado de chegar à cidade. não sabia a que cidade, assim como já não sabia quem era. também não fazia falta saber nada disto porque não conhecia a língua, não conhecia ninguém, logo não teria que dar qualquer tipo de resposta acerca destes dois detalhes de si. hospedara-se num hotel barato, onde abundam baratas e outros seres vivos, às vezes pouco mais que inanimados e às vezes pouco mais que parecidos com pessoas. todos os dias saía pela cidade à procura de um apartamento para alugar – sempre sairia mais barato – procurando exclusivamente tipologias T1 de prédios antigos. procurava neles também o que sabia que neles haveria de si mesmo: uma mulher sozinha. uma mulher casada não escolheria um T1. mulheres com filhos talvez andassem à procura de T3 ou T4. procurava alguém tão solitário como ele próprio. se procurasse alguém para partilhar um apartamento colocaria o seguinte anúncio:

“homem só procura outra solidão para partilhar estuque de paredes e estilhaços de dias. gosta de velharias, não de antiguidades. preferência a mulheres ou a o que delas restar.”

e é verdade que colocou, logo depois de alugar uma coisa mísera. e é verdade que ela apareceu, antecedida e sucedida de muitas outras mulheres. não queriam saber do apartamento. queriam saber de si. mas ela foi a única que apareceu a perguntar “posso ver a casa?”…

Outros pontos de venda ao público:
Divas & Contrabaixos
O afinador de sinos

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