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IX

Dezembro 4, 2006

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   Quando eu nasci ofereceram-me de presente um vaso de hortênsias. O meu pai agradeceu a intenção e plantou-as no fundo do quintal. Eu era pequena e brincava junto das hortênsias. Passaram-se quase oitenta anos e apercebo-me de que elas me acompanharam ao longo dos acontecimentos da minha vida. Aos Domingos a minha mãe fazia os meus pratos favoritos e compunha um ramo de hortênsias que colocava no centro da mesa. Nas duas vezes que casei havia hortênsias. Quando os meus filhos nasceram, ofereceram-me hortênsias. No dia do meu aniversário ofereciam-me hortênsias. Se alguém desejava o meu perdão pedia-o com um ramo de hortênsias nas mãos.

   Agora, neste preciso momento, espero o meu advogado para lhe ditar o meu testamento. Quero deixar bem claro que não haverá hortênsias no meu funeral. Não quero que elas me persigam desde o nascimento até à morte. Não se pode atravessar a vida sempre com a mesma flor cravada em nós.

  

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