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IV

Novembro 20, 2006

 

Estava farto de gajos porreiros. Também ele fora um gajo porreiro, mas isso fora há muitos anos. Com o passar do tempo apercebera-se de que os gajos porreiros, ou são parvos, ou são enormíssimos filhos-da-puta travestindo simpatia. Ele pertencera à categoria dos parvos, fora o príncipe dos parvos, o porreiraço-mor, o homem dos consensos, dos acordos, o que queria estar de bem com deus e com o diabo, o compreensivo, o dos mil e um perdões. Mas o tempo estraga tudo e dá cabo, principalmente, dos bons intentos. Aos vinte anos pode ser-se ingénuo, ajuda ser-se crédulo, é-se, sem esforço, um gajo porreiro. Mas, aos quarenta?…
Por isso saiu de casa, sério e resoluto. Tinha quarenta e dois anos e uns assuntos por resolver. O primeiro deles era acertar o relógio da sua vida.

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