Arquivo de Janeiro, 2007

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XXIX

Janeiro 30, 2007

Não sei bem quando começou a acontecer. Acordo completamente ensopado em suor, inundado. A testa fica húmida mas não tenho febre. Sento-me na cama para me refrescar, tenho arrepios de frio. Ponho a mão na camisola e o peito gela, puxo-a, espremo, e correm fios de água. Mergulho os dedos na nuca, sinto os cabelos encharcados. Coço-me, esfrego-me, e o desconforto não passa. As costas e nádegas colam-se ao lençol. Dispo-me completamente, apetece-me atirar o pijama para longe, cheira a mofo. Cada dois, três dias, vai tudo para lavar. As fronhas fedem e ando com vontade de mandar queimar a almofada, deve estar podre por dentro, quando pouso a cabeça sinto aquele odor próprio dos asilos de velhos. Onde nasce este liquido pestilento em que me afogo quase todas as noites? Que tumor é este que comprimo adormecido?

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XXVIII

Janeiro 29, 2007

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“- Tinhas a ideia de que os teus amigos se moveriam por ti quando chegasse a altura? Tinhas essa ideia, meu idiota? Pois fica sabendo que os teus amigos movem-se apenas por si próprios, percebes?, movem-se por si até que tu tenhas algo para lhes oferecer, só então mexerão o cu por ti, se isso não os desinstalar demasiadamente, meu pedaço de asno. Queres alguém que acredite em ti, alguém que possa, por um momento, respeitar-te, alguém que, num relance, vejas a teu lado? Procura entre quem não te conheça, sonso, entre quem não adivinhe o teu sorriso desengonçado, não tope o teu humor à distância, não tenha convivido ainda com o teu mau hálito. Procura junto de quem não te materialize, junto de quem não esteja presente quando te peidas, quando tiras macacos do nariz e os colas debaixo da cadeira. Busca na net, por exemplo, talvez haja quem te siga, quem se esforce, quem te idealize, quem goste, até descobrir que não, um bocadinho da besta que és…”
Foi com estes pensamentos que Licínio acordou na manhã do dia vinte e seis de Novembro. É certo que o tempo, lá fora, estava bastante merdoso, uma nevrinha capaz de ensombrar o amor próprio de qualquer um.

 

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XXVII

Janeiro 23, 2007

Encontraram-se no supermercado Atach. Numa secção qualquer ela reparou nele. ou que ele reparara nela. Talvez fosse quase impossível não se encontrarem novamente. Cruzaram-se muitas vezes, já sorriam. Na caixa ele ficou atrás dela. Enquanto os artigos deslizavam, continuavam a sorrir. De vez enquando, ela fazia de conta que se esquecera dele. E depois voltava a fixá-lo, olhos nos olhos, e sorriam. Espreitou o cesto dele. Uma embalagem de um pré-congelado, pão e bebidas. Vivia sozinho. Ele percebeu, fixou as compras dela. Legumes, fruta, leite com suplemento de cálcio, danoninhos, fraldas, etc.. Quis soltar uma gargalhada quando viu a expressão que ele fez involuntariamente.

Estava quase a chegar a casa quando ele passou por ela. Virou-se completamente e sorriu-lhe de novo, divertido por a surpreender. Ela não reagiu e ele acelerou o passo. Quando dobrou a esquina viu-o novamente. Estava parado em frente à sua porta, procurava as chaves. E foi com as chaves na mão que a viu aproximar-se e tirar também as chaves. Ele abriu-lhe a porta. Ela chamou o elevador. Ela carregou no botão com o número 4. Ele marcou o número 5. Olharam tímidos um para o outro. Mora aqui? Há dois meses. Não é francês? Não, turco. E você? Portuguesa. Então vamos encontrar-nos mais vezes. Sim, somos vizinhos. Casada? Sim. Eu só tenho um cão. Se ele ladrar de noite não se zangue. Não. E se for o bébé a chorar, também não se zangue. Não, ponho música.

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XXVI

Janeiro 22, 2007

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O homem estende uma nota de cinco euros e eu pego nela sem dizer nada. Tenho medo que ele se zangue se eu disser alguma coisa. Ainda me dói aquilo que ele me fez. Ainda me faz impressão a língua dele dentro da minha orelha, a minha pele arranhada pela barba mal feita, o peso dele em cima de mim, mas eu tenho medo de chorar e não choro. O homem disse que me ia dar uma Barbie e era mentira, disse que trocava a Barbie pelas minhas cuecas e era mentira, disse que era a Barbie mais rara do mundo e não era verdade. Agora olha para mim, manda-me vestir as cuecas e dá-me uma palmada no rabo enquanto solta uma gargalhada assustadora. Eu não as quero vestir por cima do sangue que mancha as minhas pernas mas tenho medo de lhe desobedecer. Ele veste-se, abre a porta e diz para eu sair sem que alguém me veja. Diz que me mata se eu contar alguma coisa e que mata os meus pais se eu lhes falar disto. Eu não lhe posso dizer que tenho medo de ficar aqui, com ele, nem que tenho medo de ir para casa, nem que tenho medo de que meus pais descubram o que se passou e ele os mate por isso. Não lhe posso dizer que tenho tanto medo, que nem me consigo mexer.

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XXV

Janeiro 17, 2007

Procurei fora de mim o amor que me devia… nunca o encontrei… Procurei-o no corpo de todas as mulheres, no rosto de cada filho, no gozo da heroína… procurei-o nos homens com quem dormi.

“Nunca amaste ninguém porque o amor parte de dentro. Apenas te distraíste.” Deve ser verdade, I.!

Numa daquelas noite com Ele, disse-me que o verdadeiro amor tinha um poder incontrolável e que eu nunca abandonaria a minha vida por amor, como ele fizera… Claro que não! Para quê comprometermo-nos com alguém se basta aprender a dizer, em várias línguas, “voulez-vous coucher avec moi”? Tive pena de não o ter aprendido em serrano, para evitar aquele jogo de rato que quer ser comido por um gato na dieta…

Houve aquela noite em que quis ser assediado por I., para deixar de lhe resistir, podendo alegar depois que o corpo não tem consciência! Ele ficou quieto, acho que para não ser negado como das outras vezes! Merda! Eu queria-o e Ele ficou parado de cegueira, sentindo-se indigno de quem o desejava… Devia ter-lhe falado na língua que ele aprendeu na serra, com as cabras e os cães com cio!

A experiência de outros princípios em O livro dos bons princípios. O que há de comum entre O afinador de sinos, Divas e Contrabaixos e esta saturação?

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XXIV

Janeiro 16, 2007

Não faças milagres por amor de mim
Rainer Maria Rilke

 

Tenho tentado ficar-em-pé contrariando os sentidos que se inclinam. Amas-me com ódio e sou tão pequena que só em bicos de pé o teu olhar não me esmaga. Imagino-te o céu e o vento e ergo-me sobre ti para que o meu rosto não sombreie.
Ficar-em-pé contrariando os sentidos que se inclinam. Silencioso, aproximas-te como um animal feroz e sou corça que salta antes de ficar encurralada. Marro contra a tua fronte para que me temas e não me unhes voraz.
Ficar-em-pé contrariando este trabalhoso atravessar o-teu-corpo sem-me-magoar atravessar o-ódio-e-perdoar o-teu-medo de não seres grande.
Ficar-em-pé para te ver percorrer o caminho.

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XXIII

Janeiro 15, 2007

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-Ó mãe, ele tirou um macaco do nariz.

-Ó mãe, ele é um porco, comeu o macaco.

-Ó mãe, ele deu-me um pontapé.

-Ó mãe, ele…

-Cala-te, estúpida. – Disse eu, e dei-lhe outro pontapé.

-Ó mãe, ele chamou-me estúpida – guinchou ela – e deu-me outro pontapé.

Odeio-a. O meu pai diz que ela é a minha nova irmã, mas eu não quero uma nova irmã. Eu já tenho a minha irmã Joana, que vive com a minha mãe verdadeira. Eu fiquei a viver com o meu pai porque em casa da minha mãe não havia espaço para montar a minha pista de automóveis de corrida. Pelo menos foi o que me disseram, mas eu já nem sequer brinco com a pista. Quer dizer, agora tenho uma Playstation que cabia na casa da minha mãe e é a isso que eu chamo uma grande verdade.

A Elsa diz que não quer ser a minha nova mãe porque eu já tenho uma, só quer ser a minha melhor amiga. Mas, então, porque é que a filha dela há-de ser a minha nova irmã? A Elsa dorme com o meu pai mas ainda tem uma casa dela. Não sei para quê, elas passam o tempo todo cá em casa. Ela tenta ser simpática mas não me engana. Vou fazer sete anos daqui a poucos dias, chamo-me joão e ela fala comigo como se eu fosse um bébé. Se o meu pai não se zangasse comigo, eu dizia-lhe que acho que ela é tão parva como a filha dela. Nenhuma delas sabe qual era o maior dinossauro que existiu, nem qual é o vulcão mais poderoso de todos. O meu pai sabe, mas também anda esquisito. Se calhar os adultos, quando se apaixonam, ficam todos parvos. Eu, quando for grande, se me apaixonar,…

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XXII

Janeiro 9, 2007

1.
Ele cicia um canto hondo enquanto mira a paisagem. De tempos a tempos, o sussuro musical desperta-a. Viajam no mesmo pequeno compartimento como se estivessem sós. De noites longas em noites longas, o cansaço apoderou-se dela. A pele continua lisa, é uma cara pálida que se deixa embalar pelo pouca terra muita terra. Ele tem um revestimento curtido pelo sol. Cicia. Os olhos são grandes, a memória longínqua.

O revisor faz deslizar a porta com brusquidão. Bilhetes um, dois. E cumprido o dever, vira as costas, deixando o corredor da carruagem à vista, os passageiros expostos. Ah, estes homens tão pouco gentis, diz bem-disposto, enquanto se levanta para garantir privacidade ao casulo. Qual é essa canção? Isso é flamenco? Unh, não sei, é a minha música. Gosto dessa música, diz ela. E ele responde Se tivesse uma guitarra, cantava-lhe uma canção a sério. Vem donde? De Espanha, mas é segredo. Desci o Guadiana. Os olhos dela arregalam. Todas as quintas carrego o barco com mantas, colchas, lençóis, tudo da máxima qualidade, para distribuir nas feiras. Onde estão as mercadorias? Ah, hoje não trabalho. Deixei ordens ao meu irmão. Vou p’ra um casamento. E sorri largo.

2.
A memória que não se perde.
Estás a ver a feira de Espinho, entre a avenida vinte e quatro e a rua vinte, ficava na vinte, entre as ruas trinta e três e trinta e cinco. Uma casa amarela, cheia de rachas, parecia que podia cair a qualquer momento. Não tinha porta, a entrada era por trás, havia um portão que dava para um carreiro, à esquerda. Ela levou-me lá. Andava na minha turma e começámos a conversar porque nos encontrávamos no trajecto para a escola. No início acho que nem gostava de mim, eu sentia alguma curiosidade. A mãe e a tia foram simpáticas. Queriam que eu lanchasse, e riam-se imenso. Eu estava admirada. As paredes estavam forradas com um papel que tinha cornucópias de veludo, os sofás e poltronas eram majestosos, todos em bourdeaux. Eu já os conhecia da feira mas não sabia que eram ricos.

E o imaginário que nos povoa.
As notícias hoje, as notícias todos os dias, este país é uma miséria. Vê o caso da escultura da Santa. O pároco cedeu-a por uns meses a um Museu e aconteceu um motim na aldeia. Um cigano foi baleado e está internado em estado grave. Na aldeia queriam bater no padre, no hospital insultaram os jornalistas, diziam que eles só sabiam dizer mal dos ciganos.

Nos hospitais têm medo dos ciganos. Quando uma mulher deita um ciganito ao mundo, ela dá pontapés, pragueja. E ai se corre mal, é tareia pela certa à saída.
Experimenta meter-te com um, ciganos e navalhadas, andam juntos. É claro que não são todos iguais. Há um que se formou. Era ele que ainda outro dia dizia “aproximam-se tempos maus”. Se eles não podem vender contrabando e contrafacção, vão vender o quê? Drogas e armas!

Outro dia uma miúda seguiu-me. Apanhou-me ali na ponte e nunca mais me deixou em paz. Teria uns seis anitos. Queria que lhe comprasse leite em pó Nidina II para o irmão. Passámos pelo supermercado e comprei-lhe o leite. Era era tão bonita.

Pois, é um problema com a escola. Se os obrigam a ir, fogem. Se querem ir, os pais dos outros alunos expulsam-nos. Os adultos vão aprender a ler para receber o Rendimento Mínimo Garantido. Levam os putos com eles para as aulas, e quem lhes pode dizer que não pode ser?

3.
Quando se olha do centro para fora, os ciganos são vistos no limite da fronteira. São portugueses e estrangeiros, ao mesmo tempo. Quando são eles que se olham, não são uma coisa nem outra, são ciganos. Agora ela está bem desperta e fala demais.
- Lembro-me de um casamento na minha terra. Vieram ciganos de todos os cantos do mundo. Vai ser assim, esse casamento?
- Não, só vem gente de Portugal e de Espanha. É quase só família!
- Uma vez, na minha terra, uma cigana casou-se com um homem que não era cigano.
- Pois, às vezes acontece, mas ela não deixou de ser cigana, ele é que passou a ser.
- Não sei.
- Mas eu sei.
- É mais fácil deixar de ser cigano que passar a sê-lo.
- Se ela nasceu e cresceu cigana, é mais forte, tem mais ganas do que ele. E se ele não quer ser largado, tem que gostar dela como ela é.
Sorri largo.

4.
A honra é um valor primordial que organiza as relações amorosas e de poder entre ciganos. Em La Casada Infiel, de Lorca, um cigano narra a sua desilusão com a cigana que levara ao rio. Pensava que ela era solteira mas, ao saber que tinha marido, é obrigado a mostrar sua honra de “cigano legítimo”:

Y que yo me la llevé al río
creyendo que era mozuela,
pero tenía marido.
(…)

yo me quité la corbata.
Ella se quitó el vestido.
Yo el cinturón con revólver.
Ella sus cuatro corpiños.
(…)
No quiero decir, por hombre,
las cosas que ella me dijo.
La luz del entendimiento
me hace ser muy comedido.
(…)
Sucia de besos y arena,
yo me la llevé al río.

Con el aire se batían
las espadas de los lirios.

Me porté como quien soy.
Como un gitano legítimo.
La regalé un costurero
grande de raso pajizo,
y no quise enamorarme
porque teniendo marido
me dijo que era mozuela
cuando la llevaba al río.

Garcia Lorca [1924-7]

5. …

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XXI

Janeiro 8, 2007

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Enganei-me no homem que devia matar e isso constituiu um erro definitivo. Se me fosse permitido morrer e regressar, iria comunicar-lhe o meu arrependimento, ainda que tivesse que o visitar no fundo mais fundo dos infernos, porque é possível que ele fosse, como pessoa, bastante pior do que eu.
O outro, aquele que eu pretendia realmente matar, aproveitou o meu erro para desaparecer, mas eu sei que será por pouco tempo. O homem apropriou-se da minha identidade, usa o meu nome, a minha data de nascimento, a minha morada, o meu número de bilhete de identidade. Por causa dele estou cercado de dívidas que nunca contraí, perdi os bens que possuía, ando foragido, existem mandatos de captura passados no nome que era o meu, é procurada a pessoa que sou eu.
Tudo piorou, no entanto, quando comecei, também, a ser perseguido por bandidos e traficantes a quem ele, passando-se por mim, enganou. Foi um desses que matei por engano e, ainda que eu estivesse disposto a eliminar o homem que me tem destruído a vida, não estava preparado para me converter num assassino. Agora, entre todos os crimes pelos quais sou procurado, existe um que foi realmente cometido por mim. Não quero, com isto, dizer que se tivesse morto o tipo certo não teria igualmente cometido um crime, quero apenas afirmar que não teria tido outra escolha.
Eu sei que parece um pouco confuso, mas deixem-me contar-vos a história desde o princípio: …

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XX

Janeiro 3, 2007

Era o quarto filho dos Pereira, para quem as esperanças de uma vida folgada tinham ficado na capital angolana, junto dos despojos de uma primeira tentativa de vida: casa, carro, palmeiras e balouços… Só a primeira filha regressou com o casal, quando a casa foi invadida e queimada. Isso terá sido por volta da revolução, e já nessa altura se enchia o país com os portugueses de segunda que atafulhavam os portos de Lisboa e transformavam a paisagem da capital com as barracas improvisadas: português que é português sabe que tudo já está bem quando “arremedeia”. Assim, criavam-se e transformavam-se bairros em Portugal, que segundo os retornados se assemelhavam às sanzalas, sempre depreciativas, sempre pouco higienizadas, sempre piores que as dos pretos, mas sempre vistas como provisórias. “Até que o governo nos dê uma casa”, dizia-se, sem se saber ao certo quem era esse governo e sem conhecer as suas prioridades. Sem saber quando viria essa casa e sem saber que Portugal era bastante mais frio para as crianças e para as bananas e mangos e abacates que agora já não cresciam à beira das estradas. Sem saber que para sempre seriam conhecidos por retornados e que isso os impediria de aceder à classe dos bem-vindo. Que nunca seriam emigrantes tão bons como os lusofranceses, lusobrasileiros, lusocanadianos, lusoamericanos e outros bem vistos lusos.

Outros princípios, a cheirar ao novo ano em Divas & Contrabaixos e em O Afinador de Sinos. Todos aqui.